“Uma mulher apaixonada como eu, é um ser em estado de torcida do Flamengo.Torce mais por ele ( o ser amado) que para a seleção .
Entra em campo,agride o juiz ,salta o alambrado ,topa qualquer desafio.
Só vê a vitória.Vai para o exílio,larga carreira ,profissão ,conveniência, partido político.Só tem um caminho e uma verdade : O amor.
O resto vem depois,sem ele ,o tudo é nada.
É o mais paciente dos seres impacientes .Sempre em estado de”estou pronta”,leva anos esperando,com uma insuportável e maravilhosa impaciência ,exigência ,dedicação ,entrega,cegueira,vontade de quintais , praias e amarrações , que supõem perfeitas e definitivas.
Ninguém vive a provisoriedade com tanto sentido de permanência .
Ninguém assina em branco e antecipa tantos avais de afeto .
Ninguém erra com tanta convicção e decência .
É fera e santa,anjo e mulher,guerreira e gato,desastrada e genial ,capaz de usar meias coloridas ,enfrentar solidões ,distancias ,presenças e furacões pelo amado.È o mais irregular dos seres regulares , porque não julga,não pensa ,não avalia , apenas ama.”


(Texto de Arthur da Távola com adaptação de Fernanda Villela)